Lado Turvo, Lugares Inquietos

by maquinas

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"A vida é muito doida.

É muito doido como em 2014 você ouve um EP de uma banda de Fortaleza que alguém postou na Sinewave e dois anos depois, após muitas conversas via chat do facebook, você tá a mais de 2500km de distância da sua casa tomando uma cerveja com os membros da banda, rindo como se vocês tivessem se conhecido a vida inteira. Assim foi minha relação com o pessoal da maquinas.

Depois de muitos meses conversando pela internet e tendo lançado as músicas deles (o EP homônimo de 2014 e o single de zolpidem), acabamos indo parar na casa dos meninos durante nossa turnê com a gorduratrans em fevereiro de 2016. Como se não fosse felicidade suficiente conhecer o Allan, Samuel, Betos e Guilherme, realizamos o sonho de assistir a uma apresentação deles no Bichano Fest Fortaleza, juntos da gordura e da Talude, e posso garantir que foi uma das experiências mais altas, barulhentas e imersivas pelas quais eu já
passei.

Agora, poucos meses depois, finalmente vem à luz o primeiro disco cheio deles, o grandioso "lado turvo, lugares inquietos". Grandioso não só pelo feito em si que é gravar um disco cheio, mas pela qualidade alcançada nas seis faixas - algumas com mais de 10 minutos - somando um total de 50 minutos de duração, inspirado por algumas das mais obscuras pérolas dos anos 90, como Unwound, Duster, Idaho e Chokebore.

Se com "zolpidem" (single que volta agora para o full album) eles já tinha conseguido criar uma das faixas mais comentadas nos submundos da música obscura nacional, com canções como "drive by" (que, apesar do título, é cantada em português tal como todo o resto da sua discografia) eles alcançaram o ápice no que diz respeito à execução e emoção, chegando à primazia dos grandes épicos do Unwound em seu cultuado Leaves Turn Inside You (faço a citação porque os meninos da maquinas são alguns dos maiores fãs de Unwound que eu conheço), com faixas enormes que passam pelo experimentalismo, a música livre, o post rock, e, no caso da maquinas, ainda sobra espaço para as texturas ruidosas do Duster, sem nunca perder a melancolia slowcore do Chokebore e Idaho, como nas faixas "quarto mudo", "contra-mão" e heitor".

Na minha opinião, Fortaleza - assim como o nordeste de maneira geral - não têm o reconhecimento que merecem por sua produção independente nos ditos grandes eixos culturais do Brasil (leia-se Rio-São Paulo), o que só mostra nossa ignorância para nomes como Astronauta Marinho, Vitor Colares e Fóssil. Espero que o esforço e o triunfo desse disco da maquinas nos ajude a abrir os olhos.

É mesmo um tempo lindo pra estar vivo."

Fred Zgur - Bichano Records

credits

released May 30, 2016

allan dias - voz/baixo
roberto borges - voz/guitarras
samuel carvalho - voz/guitarras/samples
ricardo guilherme lins - bateria

participação: gabriel de sousa (saxofone) na faixa "contramão".

gravado no mocker studio entre junho de 2015 e abril de 2016.

produzido por: maquinas e igor miná (mocker studio).

lançado por: bichano records (rio de janeiro)
transtorninho records (recife)

composição: maquinas

arte do álbum: helena lessa

fotos: taís monteiro
edição de imagens: samuel carvalho

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maquinas Fortaleza, Brazil

allan, roberto, ricardo, gabriel e samuel se juntaram para fazer música barulhenta e da maneira que eles quisessem.

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Track Name: quarto mudo
você me disse uma vez
quando eu vou sair daqui
e tudo que eu pensei
foi em sumir mais uma vez

e eu não me importo mais
em saber onde você está
e eu não me importo mais
aonde você vai deitar

a TV sempre ligada
minha cama desfeita
e eu me sinto bem
no mundo que eu criei

você me disse uma vez
quando eu vou sair daqui
e tudo que eu pensei
foi em sumir mais uma vez

e eu não me importo mais
em saber onde você está
e eu não me importo mais
aonde você vai deitar
Track Name: mal-agradecido
por essa eu não esperava
saiu de cima de mim
pegou suas roupas
e bateu a porta

e mesmo sem saber
eu me olho ao espelho
completamente nu
e entendo sua ânsia

e em noite passadas
lembro de toda a inveja
dos gritos no escuro
e de encher a cara

e eu aqui, envolvido em repulso
e com saudades da miséria
me pergunto todos os dias:
“quando irei me esquecer?”

“você não sabe responder”
Track Name: zolpidem
será que alguém
vai lembrar?
não há nada.
não há ninguém aqui.

e a luz começava a cair de novo,
mas não era dia nem era noite.
e enquanto a chuva escorria pelas escadas,
o tempo parecia ter desaparecido.
as ruas vazias começavam a tremer,
e as sirenes ecoavam de longe,
mas nunca realmente amanhecia.

eu tentava gritar,
mas minha voz
havia desaparecido.
ninguém ali existia,
mas ninguém acreditava em mim.

será que alguém
vai lembrar?
não há nada.
não há ninguém aqui.
Track Name: contramão
“quatro e meia da manhã e eu tou aqui. deitado e jogado no banco de trás do carro. mais uma vez eu enchi a cara e me arrependi como se eu já não tivesse feito isso antes. e sem saber o que fiz ou que crime eu cometi, o cheiro do cigarro impregnado em toda minha roupa vai enjoando minha cabeça perdida nas frustrações que a noite me deu.

de relance, vejo as luzes borradas da noite me levando para um caminho que eu não pedi. o som do carro toca duster, codeine e outras músicas que nem consegui ouvir, bem no momento que a lucidez volta com o peso de tudo que tentei me livrar: dos todos os rostos que quis apagar, das músicas ruins que quis dançar, do gosto amargo da bebida que quis vomitar e que deveriam ter ido embora junto com o maço que eu fumei até o fim.

e por um momento, quando as luzes se apagavam e eu cambeleava até meu quarto. eu pensei em te ligar, e dizer que no fim das contas você estava certa.

eu sempre andei na contra-mão.”
Track Name: drive by
hoje eu volto sozinho
são só onze horas
com o rancor em meu bolso
eu atropelo a noite
a minha pistola carregada
com raiva reprimida
mata a queima roupa
o otário na esquina

em meu carro em chamas
eu acho o meu rumo
120 por hora
direto no seu muro
e o meu corpo rasgado
jogado em seu quarto
pede por um abrigo
fugindo do rancor
Track Name: heitor
hoje eu me parabenizei por conseguir não pensar nenhuma vez em você
mas do que eu sei da vida dos outros?

eu não faço mais nada da minha vida a não ser pensar em tempo perdido
tive que reaprender a respirar mas fingi como se eu nem tivesse ouvido

mais uma vez saí de casa mais cedo que o habitual
era um dia cinza e o céu ameaçava desabar

eu desci seis estações depois da minha
do que a gente sabe da cidade dos outros?